Ele estava entorpecido, não conseguia ter agilidade, não tinha utilidade, nunca teve.
Tudo ao seu redor estava mais colorido, estava girando, nada normal, estava como dizia que queria estar sempre, "doidão". Caiu no meio de uma rua pouco movimentada e escura, começou a ter delírios ouvir vozes ver coisas e pessoas imaginaria. Varias pessoas gritando seu nome, vozes estridentes e agoniadas o chamando para perto, gritos e sussuros assombrosos, carros buzinando, mais de todos esses sons apenas um se destacava na sua mente insana, a voz alegre e sarcástica de um homem de meia idade.
Lentamente ele tentava se levantar e se arrastava para o banco na calçada. A noite havia sido pesada, ele pensava estar em filmes, onde depois de grandes decepções se vai a um bar, bebe e esta tudo resolvido. Mais havia contradições, as decepções era ele quem causava, e não se bebe mais que se suporta, e principalmente, o fazer não resolve nada. Mas ele sabia de tudo isso.
Por mais alucinado que estivesse ele entendia tudo, ela clamava por um suspiro de lucidez, ele sabia o quanto digno de dó estava sendo, não estava suportando tanta informação no seu cérebro embaralhado, olhar, entender, sentir, ouvir, era coisas demais.
Tentava desesperadamente dormi para ficar livre desse inferno particular, não conseguia, os gritos desesperadores lhe roubavam toda a paz, o mundo girando, a nausea constante. Era de fato, seu inferno.
Foi então que a voz sarcástica e feliz começou a atormenta-lo, lhe dizendo as verdades que ele tanto negava. Lhe mostrando como sua existência era inútil, e como nem um de seus amigos o aguentava mais, como ele havia causado tudo isso.
Coisas que eram verdades, suas verdades medonhas, ele estava enlouquecendo, tinha que tirar aquela voz da cabeça, não podia suportar.
Pra onde quer que ele fosse a voz continuava la, por mais que corresse a voz só aumentava, passando de sussurro a gritos apavorantes, seu inferno estava queimando cada vez mais.
Ele começou a correr em meio a estrada, ao mesmo tempo que tentava se afastar da voz pensava desesperadamente em qual era o rumo de sua casa. Incessantemente a voz, o humilhava, o fazia ver que não tinha ninguém, não tinha pelo que lutar, não tinha contra o que lutar. O mostrava que o certo era seguir as agonizantes gritos que vinham da parte quebrada da grade de segurança de um ponte sobre um rio razo.
Cada segundo que passava ele sentia um impulso maior em procurar a origem dos gritos, sentia que por mais medonho que os sons fossem havia um tipo de paz ali, que chegando no fundo do rio ele estaria em um lugar relaxante sem gritos ou dor.
Decidiu que correr não faria sentido algum, já que a voz gritava cada vez mais alto, correr era insanidade, ficar era insanidade, voltar era insanidade. Afinal, o que não era?
Estava indo em direção a ponte, não havia mais nada apavorante em sua cabeça, era tudo calmo e tranquilo, o tal homem com voz sarcástica, o capeta de seu inferno privado, estava falando manso com uma voz relaxante, que traria paz ao homem mais revoltado.
Quando enfim chegou na tal ponte, começou a ver vultos negros em ambas extremidades, vultos com rostos desfigurados e monstruosos fechando as saídas da ponte, um deles estava mais nítido com um rosto mais visível.
A voz lhe alertava que se não fosse logo de encontro a sua paz, que se não pulasse da ponte os vultos o levariam para um lugar desgraçado. Ele sentia a paz exalando do fundo do rio.
Decidiu por se afastar da grade da ponte, e pegar impulso para saltar. Quando ele se vira para dar alguns passos para trás vê o tal vulto mais nítido, o vulto de um senhor barbado e mal vestido o puxando e jogando-o no chão, fica desesperado por não ter conseguido se livrar das coisas que o atormentavam e começa a se debater ate então ficar imóvel e apavorado.
Só não sabia que o tal senhor, era só um velho bondosa que voltava de seu trabalho e viu um rapaz tentando cometer suicídio.
Por fim ele acorda com cada músculo do corpo dolorido na casa do senhor que o ajudou, se lembrando de cada segundo de agonia que passou, e percebendo a estupidez que quase fez.
Restava saber se isso o tornaria uma pessoa diferente ou não serviria de nada.